Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Os emojis, por Gabriel Novis Neves

27 de jun de 2015

Os emojis, por Gabriel Novis Neves


Os emojis
Estamos nos tornando cada dia mais interessados em destruir tudo o que aprendemos como válido - muito em função da pressa que o mundo moderno demanda.
O alfabeto por nós usado tem vinte e seis letras. Cada pessoa tem, em média, um vocabulário em torno de duas mil e quinhentas palavras.
Com isso contávamos durante séculos, até o aparecimento do mundo digital.
Eis, entretanto, que surge a linguagem pelos emojis, criação brilhante da mente japonesa.
Os pequenos símbolos, que dispensam um mínimo de tempo para a sua confecção, logo se tornaram uma coqueluche no mundo da comunicação através das redes sociais.
Pena que aqui na terrinha não avisaram aos internautas que alguns desses símbolos dizem respeito apenas à cultura asiática, tais como figuras relacionadas aos calendários.
Aliás, talvez pelo excesso de informações, vivemos um processo de saturação do nosso HD, que já não mais comporta tamanho acervo, principalmente com a velocidade com que ele se apresenta.
Talvez por isso estejamos economizando, progressivamente, a nossa capacidade mental, seja na palavra falada, seja na palavra escrita.
Basta lembrar, com tristeza, que, de dez livros vendidos atualmente no mundo, nove são para colorir. Um recorde lamentável, que corrobora essa atrofia mental progressiva.
Nossos antepassados foram muito preocupados em divulgar uma linguagem universal em que todos os povos pudessem se inter-relacionar, o esperanto.
Tornamo-nos tão únicos e tão sós, que já não mais nos interessam as formas tradicionais de relacionamento.
Emoções, para quê?  Olho no olho, para quê?
Tudo rápido e descartável, sem a perspectiva de qualquer envolvimento.
Chegar ao Nirvana apenas através de símbolos e cores, essa é a meta.
Eu e alguns amigos da minha faixa etária continuamos fascinados pela beleza das palavras e, mais ainda, pela riqueza das emoções que elas podem desencadear.
Tudo isso me faz lembrar o grande Raul Seixas e sua belíssima música “metamorfose ambulante”.
Sem essa metamorfose seremos seres em extinção bem mais rapidamente.

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