Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Caçador e caça, por Gabriel Novis Neves

19 de ago de 2015

Caçador e caça, por Gabriel Novis Neves

Caça e caçador 
A espécie animal é basicamente predadora e vive em permanente sinal de alerta em função da sua sobrevivência. 
Nós, os racionais, matamos pelo mais puro sadismo, pois podemos sobreviver à custa de várias outras fontes de alimento que não somente as animais. 
Choca-me o grande alvoroço em torno do dentista caçador americano que costuma transformar os seus momentos de lazer em assassinato de animais de grande porte, certamente para aumentar a sua coleção de cabeças de várias espécies. 
Normalmente, onde isso aconteceu, no Zimbábue, mata-se, legalmente, quarenta e nove leões por ano. 
Pelo que foi noticiado, o troféu custou ao dentista o equivalente a cento e sessenta mil reais. 
Acontece que desta vez, o belíssimo felino que ostentava em sua juba um colar GPS, era um leão grifado, codinome Cecil, e representante para fins de estudos de sua espécie pela Universidade de Oxford. 
Seres famosos costumam causar muita comoção após a morte, o que não acontece com os milhares de seres humanos africanos que morrem a cada segundo por fome e miséria. 
Recentemente, o grande fotógrafo Salgado, fez um documentário aterrador sobre o dia a dia dessas populações que, aliás, há anos vêm sendo dizimadas sem que o mundo se mostre impactado com tamanhas cenas de terror. 
A caça, nesses países africanos, tem um alicerce cultural, além de tirar da fome momentânea alguns poucos nativos coniventes com os inúmeros estrangeiros do primeiro mundo que para lá se dirigem com essa finalidade. 
Nada disso costuma ser noticiado, tanto que, alguns dias depois, ficamos sabendo da morte de um dos cinco últimos rinocerontes brancos do norte existentes no planeta, subespécie em extinção. 
Isso, entretanto, não causou a mais remota comoção na militância viral. 
Aliás, a Europa, sempre tão venerada por nós tupiniquins, é o berço da caça. Para os mais abastados era um ritual de elegância, e transformaram-na em um “esporte nobre”.  
Isso sem falar nas touradas, uma barbárie até hoje consentida e louvada. 
Esse imbecil caçador de leões apenas representa uma fração oligoide da humanidade, que pouco se importa se a caça é representada por bichos ou por seres humanos, explorados até a morte pelo mundo afora. 
Culpados são os regimes que dão o mesmo valor a uma caça de leão e a um ser humano que, estendido nos trilhos de uma ferrovia, vítima de atropelamento, estava impedindo o tráfego de trens. Fato ocorrido no Rio de Janeiro.  
A vida perdeu o valor como um bem supremo. 
A caça, em pleno século XXI, ser considerada um esporte, é sinônimo de que ainda não merecemos a qualificação de animais racionais. 
Continuamos bárbaros como sempre fomos, só que bem mais hipócritas. 
Chega de tantas hipocrisias repetidas, sem que, absolutamente, ninguém, as questione!

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