Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Mesmas notícias, por Gabriel Novis Neves

20 de ago de 2015

Mesmas notícias, por Gabriel Novis Neves

Mesmas notícias 
Há meses abro os jornais e as notícias são sempre as mesmas: operação Lava Jato, delação premiada, novas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e a crise política e econômica sem fim corroendo este país. 
O governo, totalmente sem rumo, marca reuniões e mais reuniões, que sempre terminam com a data da próxima.  
Discute-se muito sobre o caos existente, mas um plano para se encontrar uma saída para o imbróglio em que nos meteram, simplesmente não existe. 
Já é da nossa cultura política, quando diante de uma grave crise, marcar reuniões sem conclusões. 
Reuniões se fazem quando se tem uma proposta consistente para resolver a situação de calamidade. 
Na terrinha, enquanto se espera um plano salvador, surgem as reuniões, na esperança que caia do céu uma proposta milagrosa. 
Panelaços, buzinaços, abraços em prédios, marcha das margaridas, gritarias, manifestações de ruas, tudo termina no dia seguinte nas notícias de jornais. 
A corda da nossa tolerância está no esgarçamento máximo. A guerra entre o Executivo e Legislativo  continua cada vez mais ampla, inclusive com apoio de deputados do partido do governo. 
Apesar dos trinta e nove ministérios, rareia o número de parlamentares governistas. 
Dos trezentos iniciais anteriores, restam apenas cento e trinta gatos pingados, alguns nem sempre muito confiáveis. 
Figuras de proa do plano de governo foram atropeladas pela sua própria sede excessiva de poder. 
O líder de vinte e dois anos da UNE (União Nacional dos Estudantes), ídolo da sua geração, foi trocado pelo embaixador americano em um sequestro espetacular e enviado a Cuba para treinamentos de guerrilhas e cirurgia plástica. 
Hoje, está totalmente abandonado pelos seus antigos liderados numa prisão em Curitiba por desvio do erário. 
É triste presenciar o desaparecimento de uma expressiva liderança que estava sendo preparada para assumir democraticamente o comando político deste país. Chegou a ser “nomeado” o capitão do time no início de 2003. 
A ambição do seu grupo, e a sua própria, o tragaram para o fundo do poço do ostracismo, de onde não mais terá tempo para sair.  
Essas são as notícias diárias, em que são mudados apenas os nomes dos atores.  
Enquanto isso, a crise política e financeira parece não ter fim. 
Estamos à procura de um líder, como admitiu o coordenador político do governo, não só para nos salvar, mas, principalmente, para dar às mídias matérias mais otimistas. 
Isso é fundamental para o equilíbrio do nosso sistema nervoso.

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