Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Governo autista, por Gabriel Novis Neves

21 de ago de 2015

Governo autista, por Gabriel Novis Neves

Governo autista
Infelizmente vão se extinguindo sucessivamente as possibilidades de harmonia entre os três poderes da República, fundamental para uma democracia de fato e de direito.
Um governo autista, como o atual, não consegue focar na realidade dos fatos, e passa a agir de forma totalmente esquizoide, mergulhado nos seus interesses político- partidários, dissociando-se cada vez mais das reais aspirações da população.
Foi de tal grandeza o perfil da formação do jogo político de poder, que há poucas possibilidades de um amplo acordo que priorize o término da profunda crise político-econômica em que mergulhamos.
O nome de um ex-presidente da República está sendo cogitado para ocupar um ministério – ou da Defesa ou das Relações Exteriores.  Mas, isso é algo inimaginável, até pelos mais perspicazes cientistas políticos do planeta.
Seria uma manobra desprovida de um mínimo de aprovação da sociedade, pois que visa tão somente blindar da justiça uma figura do mais alto escalão, que passaria, assim, a ter foro privilegiado.
Triste mesmo é imaginar que estamos pagando um preço muito alto por essa falta de monotonia em que as mídias nos estarrecem a cada nova manhã.
Nada mais nos surpreende nessa governança autista, totalmente desvinculada dos gritos de uma sociedade que, entre esfacelada e surpresa, clama por um mínimo de respeito e de espírito patriótico.
Que mandatos legitimados pelo voto popular sejam cumpridos até o fim, mas que os governantes não ajam como déspotas, mirando de longe o incêndio das instituições sem ao menos usar bombas extintoras eficientes que o apaguem.
Um mínimo de autocrítica seria muito bem-vindo num momento tão grave para todos nós.
Pessoas com pensamento razoavelmente coerente costumam ser humildes na avaliação de seus erros e procuram de uma forma honesta corrigi-los, e não, escamoteá-los.
Imagino que essa perspectiva de perda de poder seja muito cruel, mas é preciso, nesse momento, focar num bem maior - a tranquilidade de manutenção das instituições brasileiras.

É o que espera toda a sociedade.

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