Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: 02/07/15

7 de fev. de 2015

Fazer a hora, por Gabriel Novis Neves

Fazer a hora 
Geraldo Vandré na década de sessenta teve a felicidade de compor uma música que se tornou o hino oficial dos estudantes que lutavam contra a ditadura militar. 
“Quem sabe faz a hora não espera acontecer”... era o que ouvíamos em todas as manifestações contra o regime instalado no Brasil. 
Até hoje nos protestos de rua quando alguém puxa o velho refrão é logo acompanhado por todos. 
Se os nossos políticos refletissem sobre esse verso da canção de título romântico (Para não dizer que não falei das flores) este país seria outro, bem melhor. 
Quantos dissabores, aborrecimentos e tragédias seriam evitados. 
Como exemplo recente: se a presidente não se candidatasse à reeleição, muitas esperanças estariam a nos alimentar neste momento de crise mundial. 
Na sequência do “se” está a grande mensagem da humildade inexistente em quase todos os nossos governantes, muitos adeptos do autoritarismo e da prepotência. 
O resultado é o esgarçamento da corda do poder, que sempre rompe do lado mais fraco, que é o da classe dos trabalhadores. 
Os desmandos dos quais somos vítimas tem como causa principal o desgaste de um prolongado exercício do poder. 
O apego às benesses dessa função de grande visibilidade, aliado ao inevitável charme das mordomias, faz com que erros visíveis e imperdoáveis se transformem em pequenos deslizes por aqueles que têm por obrigação zelar pelo patrimônio nacional. 
Alguns, que há décadas trafegam com desenvoltura pelas altas esferas do poder, de há muito deveriam ter abandonado seus postos para o necessário rejuvenescimento do nosso sistema governamental. 
Jovens entram na “profissão de políticos” e, já gagás, com um passado de inutilidades, muitas vezes nada abonador, insistem, como na antiga marchinha carnavalesca, com o “daqui não saio, daqui ninguém me tira”. 
A carneirada a tudo acompanha com resignação. 
Um dia “a casa cai”, e a culpa será da democracia. 
Chegou o momento dos nossos mandatários fazerem a hora, pois o país já não os aguenta mais.

Folias de Momo, por Gabriel Novis Neves

Simbolismo ou não, formam-se nesse período pré-carnavalesco os grandes blocos políticos, num total de 513 deputados, dos quais, 289 reeleitos nas mesmas escolas. 
Eles serão responsáveis pelos enredos a serem escolhidos para o país para os próximos quatro anos. 
Para isso contarão com verbas vultosas e muito promissoras, bem superiores a dos pobres desvalidos que os legitimam e aplaudem nas arquibancadas. 
Diante de tanto desencanto político é importante não fantasiar muito diante dessas novas 198 figuras eleitas e seus antigos 289 pares reeleitos. 
Como nos camarotes do sambódromo, muito barulho e selfies em profusão no perfil do momento. 
Diante dessa imensa carnavalização não esquecer que entre os mais votados na terrinha estão alguns bastante caricatos, tais como ídolos circenses, machistas e homofóbicos de carteirinha, além de líderes religiosos e pessoas com ideias fascistas. 
Os futuros “musos” dessa folia já se engalanam e se propõem ao uso de qualquer tipo de fantasia. 
É só aguardar e lá virão eles cheios de brilhos, adereços polpudos, sem falar das máscaras de todo o tipo e para todo gosto. 
Pena que essa festa dure bem mais que os cinco dias de carnaval e ameacem emporcalhar as ruas muito mais que os festejos ditados por Momo. 
Resta aguardar que esses blocos de sujos sejam postos nas ruas e, como sempre, aclamados como vencedores.
Estamos há anos vendo esse filme e, realmente, a única mudança é a cor mais forte ou mais fraca dos blocos desfilantes. 
Todo o resto é uma grande folia financeira e econômica para a qual não somos convidados. 
Apenas participamos dos dias cinzentos subsequentes, infelizmente. 
Máscaras, as mais diversas, são, sem qualquer pudor, atiradas para nós ao final dos desfiles, comemorando, tal como numa festa de campeãs, as que mais conseguiram envolver a carneirada. 
Resta-nos, finalmente, através de impostos estratosféricos, pagar todo o resultado dessa grande folia...